sexta-feira, 17 de junho de 2016

RAIMUNDO CELA PARA O BRASIL

Um dos mais importantes artistas do Ceará, Raimundo Cela transpôs para as telas e papel tudo que estava ao seu redor. Exímio paisagista e pioneiro no ensino da gravura em metal no Brasil, ele eternizou a figura do nordestino ao representar pescadores, vaqueiros, jangadeiros e rendeiras.
As telas conhecidas por estamparem livros locais, corredores dos museus e prédios públicos da capital cearense ganham, a partir da tarde do último sábado, 11, projeção em uma individual no Museu de Arte Brasileira da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo.
A ideia é resgatar artistas ainda pouco conhecidos do grande público e, com 120 obras, a exposição será o maior apanhado do sobralense. São quadros do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC), Instituto Dragão do Mar, Palácio da Abolição, Palácio Iracema em Fortaleza, Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, além de coleções particulares.
Apesar da quantidade de pinturas dos nordestinos em posição de trabalho, Cela foi um artista universal que transcendeu o Brasil ao ganhar um dos mais cobiçados prêmios do Salão Nacional de Belas Artes. “Com essa premiação, os artistas tinham a possibilidade de viajar para a Europa e lá permanecer por certo tempo", relata o editor e diretor da Pinakotheke, Max Perlingeiro, que estuda a obra de Cela há 40 anos.

Carreira
Raimundo Cela nasceu em 1890, em Sobral, mas cresceu em Camocim, a 379 km de Fortaleza. No início do século XX, sai do Ceará para estudar Engenharia no Rio de Janeiro, onde também passa a frequentar aulas no Museu de Belas Artes.
Ele se forma em Engenharia cumprindo acordo com o pai, mas logo recebe o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes, pela obra clássica “Último Diálogo de Sócrates" (1917). Na Europa, começa a estudar a gravura em metal com o inglês Frank Brangwyn, quando também faz telas da paisagem francesa e inglesa.
Depois de sofrer um AVC e quase perder a visão, retorna ao Ceará com problemas de saúde e se recolhe em Camocim, onde passa a trabalhar como engenheiro. Posteriormente, recebe a encomenda do Governo do Ceará para fazer um grande painel. O foyer do Theatro José de Alencar vira o ateliê para ''Abolição (1938)'', que narra a libertação dos escravos no Ceará, primeiro estado do Brasil a abolir a escravidão.
Em 1940, muda-se para Niterói e inicia o ensino da gravura em metal na Escola Nacional de Belas Artes. Realiza a primeira mostra individual em 1945, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio. Adir Botelho, um grande especialista em gravura, foi aluno de Cela.
O artista sobralense morre no Rio, em 1954, aos 64 anos. Após a morte, a mulher e os dois filhos, Dolores e Paulo, vão morar em Manaus com familiares. A atual vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, é sobrinha-neta do artista.

Via Jornal Opovo
Foto: A Virada (1943)", de Raimundo Cela (Reprodução)

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