terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sem transposição, apenas chuvas evitarão colapso hídrico no Ceará

O atraso na entrega das obras de transposição do rio São Francisco torna a situação hídrica ainda mais crítica no Ceará. Sem o canal de distribuição de água, o governo e especialistas afirmam que o Estado ficará mais vulnerável, a mercê de chuvas, que talvez não sejam suficientes.
O secretário dos Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira, afirma que, sem as águas do rio, aumenta o risco de falta de abastecimento na Região Metropolitana de Fortaleza.
“O governador Camilo Santana já apresentou ao ministro Hélder Barbalho algumas demandas de ações que diminuem o impacto, como retirar o volume morto do (açude) Castanhão. Outras saídas estão sendo pensadas, mas na realidade o que deveria haver era agilidade de conclusão da transposição do São francisco”, diz.
Agora prevista para o segundo semestre de 2017, a entrega da obra foi adiada mais uma vez. De acordo com o governo federal, a empreiteira responsável pelo trecho que traz águas para o Ceará, a Mendes Júnior, desistiu do contrato em julho. A empresa, uma das implicadas na Operação Lava Jato, passa por dificuldades.
O representante do Ministério da Integração Nacional, Jonathan Assunção, veio a Fortaleza para dizer que o cronograma não poderá ser alterado. Portanto, se não houver contestações, a licitação que será aberta em dezembro deverá contratar nova empresa em fevereiro e entregar as obras seis meses depois.
Jonathan participou de reunião com produtores, empresários e deputados ontem à noite na Assembleia Legislativa. Ele explicou que uma consulta pública está sendo feita antes da abertura da licitação, que ainda não tem valor definido, mas deverá ficar na casa dos R$ 600 milhões.
Faltam cerca de 10% das obras para concluir o trecho do Eixo Norte que liga o São Francisco ao Ceará, através da entrada no município de Jati, a 545 km de Fortaleza.
Dispensa de licitação
Parlamentares cearenses e empresários cobraram que o governo federal considerasse uma dispensa de licitação, que pode ser realizada quando a previsão de conclusão de obras é de até 180 dias.

Uma comissão será criada para pressionar o Ministério da Integração Nacional a fazer a dispensa de licitação, o que poderia adiantar em cerca de um mês a entrega das obras e evitar recursos de empresas perdedoras na licitação. “Com a dispensa de licitação, os valores são os mesmos, não seriam atualizados. Sairia até mais barato”, diz Teixeira.

Via Opovo

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