terça-feira, 13 de dezembro de 2016

ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO TCM REPUDIA FUSÃO AO TCE

A Associação dos Servidores do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) divulgou nota, nesta segunda-feira, repudiando a tese de fusão do órgão ao Tribunal de Contas do Estado. Diz que essa emenda é inconstitucional. Confira:
NOTA DE REPÚDIO À PEC 02/2016
A Associação dos Servidores do TCM do Ceará vem a público se manifestar sobre a Proposta de Emenda à Constituição nº 02/2016, que visa à EXTINÇÃO do TCM/CE:
Causa-nos, no mínimo, estranheza a ingrata surpresa da notícia divulgada pela mídia cearense nessa quinta-feira, 08 de dezembro, e confirmada pela Proposta de Emenda à Constituição Estadual nº 02/2016, apresentada por parlamentares cearenses e que versa sobre a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará.
Esta Associação repudia veementemente referida proposta, seja porque não possui legitimidade, como também por inexistir qualquer fundamento para a alegada economicidade.
Pretende a proposta que seja extinto o maior órgão de fiscalização de entes municipais do Brasil, sob o argumento de que seria uma atitude hipoteticamente econômica. Entretanto, não foi apresentado qualquer cálculo ou números que pudessem representar a ilusão de economicidade para a sociedade.
Almejam os deputados interessados que os gestores municipais, seus correligionários políticos, deixem de ser fiscalizados diretamente pelo TCM. Trata-se de uma proposta de desserviço a toda a sociedade cearense, que tem na Instituição especialista no controle e acompanhamento das contas públicas, orientação e capacitação dos gestores dos 184 municípios do estado, seu autêntico e legítimo fiscal dos recursos e patrimônio público.
Noutro ponto, há que se destacar a insegurança jurídica que poderá ser gerada para o corpo funcional do TCM, em razão de que todos os seus servidores estarão a mercê do que for apresentado pelos parlamentares, afetando-se diretamente a vida de mais de 300 (trezentas) famílias.
Alguns pressupostos de natureza política, administrativa e constitucional merecem destaque diante de tão desarrazoada proposta em um momento em que a sociedade necessita cada vez mais de agentes e instituições públicas voltadas para a defesa na aplicação dos recursos públicos:
a) Político por ser apresentada coincidentemente com o episódio da eleição dos dirigentes do Poder Legislativo, quando se presenciou forte ingerência do Poder Executivo no processo eleitoral da mesa diretora; indaga-se: por que somente no último mês do ano, na semana posterior à disputa pela Presidência da Assembléia, os deputados tiveram a ideia da extinção?
b) Administrativo pelas repercussões trágicas que produz em um órgão com expertise técnica para orientar, capacitar, fiscalizar e fortalecer as gestões públicas, suprindo o legislativo com os meios necessários a sua função fiscalizatória, em razão da abrangência que alcança a situação funcional de servidores das áreas técnicas e administrativas, procuradores, auditores e conselheiros, amparados pelas normas constitucionais insculpidas no art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal;
c) Constitucional por não assistir ao constituinte derivado competência para modificar os dispositivos assegurados nas Cartas Federal e Estadual no capítulo dos direitos individuais e coletivos.
Em um momento histórico em que se demanda cada vez mais atuação dos órgãos de fiscalização, de fomento ao controle que deve ser exercido sobre os gestores públicos, tal proposta afronta de forma direta os interesses da sociedade, mormente por almejar a extinção do único órgão do Estado do Ceará responsável por fiscalizar diretamente a aplicação dos recursos pelas Prefeituras Municipais.
Difícil, por mais senso e quociente de inteligência avançado, que se entenda falar em economia de despesas, quando contempla na proposta a manutenção de todos os conselheiros, auditores e procuradores em disponibilidade remunerada.
Em outras palavras, pela proposta dos deputados, ficarão os titulares dos cargos recebendo seus salários sem trabalhar, o que resulta em uma despesa anual superior a 5 milhões de reais por ano, isso somente com as autoridades colocadas em disponibilidade.
Se a proposta visa à economia do dinheiro público, onde está o cálculo da alegada economicidade? Não foi apresentado porque não existe.
O Tribunal custa aos cofres públicos por ano, com toda a sua estrutura especializada, que orienta, capacita e fiscaliza todos os municípios do estado, somente 0,5% dos Associação dos Servidores do Tribunal de Contas dos Municípios recursos públicos fiscalizados, ou seja, para cad fiscalizados 2.122 reais de recursos públicos.
Além disso, devem também ser Instituição, que evita prejuízos e determina a devolução de recursos que não tiveram sua aplicação realizada de forma correta. Todas as ações, inclusive com o Ministério Público, afiançam a qualidade e a seriedade com o que a instituição tem marcado sua atuação.
Prêmios e reconhecimento nacional trajetória de 63 anos na árdua missão de fiscalizar, orientar e capacitar os servidores, gestores e a sociedade civil. Lamentável, triste e prejudicial à sociedade, parlamentares que se interessam em uma interesses pessoais e subalternos.
Representando a entidade dos servidores do TCM cumprimento de nosso dever, emenda apresentado e vamos à luta pela preservação da entidade.

Humberto Lopes Tabosa

*Presidente da Associação dos Servidores do TCM/CE Associação dos Servidores do Tribunal de Contas dos Municípios (ASTCOM).

(Blog Eliomar de Lima)

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