domingo, 5 de fevereiro de 2017

"O Estado nos abandonou, não temos condições de trabalho, falta o mínimo..." Leia o relato de um Agente Prisional da Cadeia de Camocim

Trabalhar sob pressão e na iminência constante de novas fugas ou rebeliões tem sido a rotina de policias e agentes penitenciários que trabalham na Cadeia Pública de Camocim. Só este ano, foram quatro ocorrências de fugas na unidade. 

Estimulados pela super lotação, comprometimento físico do prédio e, até mesmo pelo pequeno efetivo de agentes que atuam no contingenciamento dos detentos. Buracos são feitos e grades são serradas com facilidade na hora da fuga. O problema revela a face cruel da super lotação nos presídios brasileiros, sem a efetiva intervenção dos governos. Até o presente momento, não há um posicionamento firme por parte do governo estadual responsável pela administração da cadeia. 

Leia o relato de um agente penitenciário que trabalha na unidade prisional, resguardamos sua identidade por se tratar de conteúdo opinativo. O comentário foi enviado ao blog via rede social: 

"Meu amigo André: Já foi provado por A mais B, que a cadeia de Camocim não tem mais condições de permanência ali, por inúmeros motivos: não oferece estrutura, ou segurança. Trabalhamos em cima de um barril de pólvora, e sempre tensos, na iminência desse barril explodir, o perfil do preso, criminoso ou infrator Camocinense, mudou muito ao passar do tempo, todos os dias somos jogados aos lobos, e temos que ser fortes, destemidos e inteligentes.
O Estado nos abandonou,  não temos condições de trabalho, as leis não ajudam, sofremos com falta de contingente, armamentos,  treinamentos, respaldo pra agirmos......a cadeia de Camocim transformou-se em uma piada (pra quem desconhece o sistema) , a sociedade não tem noção do nosso trabalho,  e desconhece esse sub mundo."

Atualmente a unidade conta, apenas, com 4 agentes prisionais para fazer a custódia de mais de 180 presos, número 3 vezes mais do que a capacidade que é de 67. 

O Presídio de Camocim ameaça a segurança da população e põe em risco a integridade física de presos e profissionais que ali atuam diariamente. 

André Martins/CPN

Nenhum comentário:

Postar um comentário