terça-feira, 21 de março de 2017

Família retira idoso tetraplégico do HGF após 4 horas sem atendimento: "vai morrer em casa"

Um homem tetraplégico de 59 anos, que aguardava atendimento no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), foi retirado do local por familiares após passar mais de quatro horas sem ser atendido. Raimundo Nonato de Brito chegou na emergência do hospital às 9h deste sábado (18), com dificuldade para respirar e fortes dores, e aguardou até às 13h30 em uma maca no corredor do hospital. Inconformada, sua esposa, Maria Brito, disse que levaria o marido embora para "morrer em casa".
"Ele não vai morrer neste corredor. Vai morrer em casa", disse Maria Brito, em vídeo gravado por familiares neste sábado, no HGF. Segundo a filha de Nonato, Aline Brito, o pai não teve a atenção necessária no hospital. "Chegamos por volta de 9h e, às 13h30, meu pai ainda estava em maca quase à altura do chão, suja, sem alimentação e sem água. Os exames só fizeram porque os outros familiares começaram a chegar desesperados", destacou.
Aline também destacou que, após retirarem Nonato do HGF, os familiares ainda tentaram levá-lo para a Santa Casa de Fortaleza, onde, conforme diz, ele também não recebeu o atendimento adequado. "Disseram que não têm tratamento para ele", afirmou. "Com o sofrimento torturante de vê-lo neste estado, sem atendimento, apenas com promessas, decidimos levá-lo para casa, para ter uma morte com mais dignidade. Não temos conhecimentos em enfermagem, nem condições de pagar um auxílio médico domiciliar", complementou.


Angústia prolongada
Segundo familiares, Nonato, que é ex-marinheiro da Marinha do Brasil, na Agência da Capitania dos Portos em Camocim, ficou tetraplégico após erro médico em um cirurgia de retirada de hérnia na região abdominal, em 2001. Após uma dosagem errada na anestesia, ele ficou em coma por aproximadamente três meses e, quando saiu, perdeu os movimentos do pescoço para baixo. 
Aline Brito diz que seu pai vivia uma vida normal, apesar de suas limitações. Entretanto, em novembro do ano passado, ele teve um problema intestinal e uma grave pneumonia, ingressando no HGF, onde ficou internado na UTI do dia 15 de novembro até 23 de dezembro, quando foi transferido para uma unidade semi-intensiva. Na última quinta-feira (16), ele recebeu alta.
"Enquanto esteve no hospital, meu pai foi desenganado várias vezes. Disseram que nunca mais ele iria respirar sem a ajuda de aparelhos. Ocorre que, em janeiro último, a máquina que fazia a respiração mecânica deixou de funcionar e viu-se que ele estava respirando com autonomia. Diante disso, fizeram uma traqueostomia (intervenção cirúrgica que consiste na abertura de um orifício na traqueia e na colocação de uma cânula para a passagem de ar) e deram a alta dele", explicou a filha.
Dois dias após sua alta, porém, Nonato voltou a apresentar fortes dores e falta de ar. "Nem morfina aliviava", conta a filha. "Buscamos o serviço de assistência domicilair do (Hospital Geral Dr.) Waldemar Alcântara, mas disseram que tínhamos que ligar para o Samu, pois eles não atendiam aos fins de semana e feriados. Ligamos para o Samu, que alegou que isso era competência da assistência domiciliar. Desesperados, colocamos meu pai num carro comum e o levamos ao HGF, onde aconteceu tudo isso", conclui Aline.

Por Áquila Leite/D.N

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