sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nathaniel Silveira: "Quando o julgamento não é da Justiça"

Julgar é fácil, mas ser julgado ninguém quer.

Na Bíblia, em Mateus – Cap. VII, versiculo 1 e 2, diz “Não julgueis, a fim de que não sejais julgados…”.
Pois é, mas quando julgamos um fato criminoso, noticiado pela mídia ou espalhado pelo Facebook ou Whatsapp, será que temos o cuidado de averiguar o que de fato ocorreu, ou se a notícia procede, antes de repassá-la ou comentar?
Eu mesmo, já desmenti muitos SPAMs espalhados pelas mídias sociais, pois me causa desconforto ver um boato se espalhar e viralizar, acabando com a vida de uma pessoa, imputando-lhe um crime sem que nada indicasse para tal, a não ser o boato.
O que é mais intrigante é que poucos devolvem aos que lhe enviaram falando da retratação, afinal, não há graça em se retratar, coisas da natureza humana.
A vida de alguém pode ser destruída por uma notícia falsa, um boato ou um SPAM.
O último que desmenti refere-se a um casal que se passa por fotógrafo e que visita escolas com a finalidade de seqüestrar crianças. Na publicação, viralizada pelo Whatsapp há a foto do casal e o texto pedindo que a notícia seja repassada aos contatos.
Na realidade é uma notícia absurdamente falsa, inclusive já tendo causado vários prejuízos ao casal da foto. 
A bem da verdade, as pessoas julgam e condenam sem averiguar a veracidade da notícia, ouvir os envolvidos ou aguardar o fim das investigações, o que fatalmente é um erro.
“É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente.” Já disse Voltaire.
Mas infelizmente não é o que ocorre.
Haja condenação, haja corte marcial e pré-julgamentos que acabam por aniquilar a vida de alguém.
Vejam o exemplo da Escola Base em São Paulo.
Dezoito anos atrás, os donos da Escola de Educação Infantil Base, na zona sul de São Paulo, foram chamados de pedófilos.
Sem que o caso fosse devidamente apurado e investigado, sem que fossem ouvidos os investigados, sem chance de defesa, a opinião pública e a maioria dos veículos de imprensa acusaram, julgaram e condenaram Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada, Mauricio Alvarenga e Paula Milhim Alvarenga.
Na esfera jurídica, entretanto, houve uma reviravolta. As acusações ruíram, pois se verificou que os fatos criminosos imputados aos acusados eram inverídicos e infundados.
Um julgamento que veio tarde demais para os quatros inocentados. A escola, que já havia sido depredada pela população revoltada, teve que fechar as portas, os envolvidos já haviam sido molestados na sua honra, na sua dignidade, já haviam perdido suas vidas.
Os donos sofrem, até hoje, as seqüelas dos fatos, que foram criados por uma mente doentia, causando um destroço em suas vidas.
Alguns veículos de comunicação foram condenados a pagar indenizações aos envolvidos, dentre eles a Rede Globo condenada a pagar quase 1,5 milhão de reais.
Há uma facilidade muito grande para julgar, comentar que o Brasil não presta, que devia haver pena de morte, que não há Justiça, enfim, Juízes sem toga de plantão dispostos a condenar até executar a pena.
E isso é muito perigoso, estaríamos vivendo um Estado de Exceção.
Por isso, temos que ter cuidado ao noticiar, comentar, repassar, julgar fatos e pessoas sem averiguar ou até mesmo aguardar o julgamento pelos meios próprios, para que possamos exprimir uma opinião.
Cuide do outro, pois você poderá ser o próximo a ser julgado.
Fique de Olho no seu Direito!

Nathaniel Silveira, Advogado especialista em Direito Civil e Previdenciário. 
06 de outubro de 2017

Um comentário:

  1. DIREITO E DEVERES. BOLSONARO VEM AI PARA RESOLVER O PROBLEMA DOS BICHIM MEMEU VEM AI 2018.

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