sexta-feira, 6 de abril de 2018

Assassinos da travesti Dandara são condenados a 83 anos de prisão

Já era por volta de 1 hora de hoje, quando a juíza leu a sentença que condenou cinco acusados de matar a travesti Dandara dos Santos a 83 anos de prisão, se somadas as penas. O crime bárbaro, ocorrido no bairro Bom Jardim, em Fortaleza, repercutiu no País e internacionalmente. O caso foi elucidado pela Polícia, denunciado e julgado em apenas 414 dias (cerca de um ano e dois meses). 
Francisco José Monteiro de Oliveira Júnior, conhecido como ‘Chupa Cabra’; Jean Victor Silva Oliveira; Rafael Alves da Silva Paiva, o ‘Buiú’; e Francisco Gabriel Campos dos Reis, o ‘Didi’ ou ‘Gigia’, foram condenados por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima). Já para Isaías da Silva Camurça, o ‘Zazá’, não incidiu a qualificadora da impossibilidade de defesa da vítima. Os cinco irão cumprir a pena em regime fechado. A defesa de um dos réus irá recorrer da decisão do Conselho de Sentença da 1ª Vara do Júri e a dos demais vai analisar a possibilidade de ingressar com recurso no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). 
A sessão foi presidida pela juíza Danielle Pontes de Arruda Pinheiro. A acusação foi feita pelo promotor de Justiça Marcus Renan Palácio e pelo assistente de acusação, advogado Hélio Leitão. A acusação afirmou ter ficado plenamente satisfeita com o resultado do júri.
Nenhuma testemunha foi arrolada para depor no julgamento. Um a um, os acusados foram interrogados pela juíza, pela acusação e pela defesa, em frente ao plenário lotado. Eles confessaram estar no local do crime e até agredir o corpo de Dandara, mas negaram que a mataram, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza, no dia 15 de fevereiro do ano passado. A travesti foi alvo de chutes, pedradas, pauladas e tiros.
‘Chupa Cabra’ contou a sua participação na ação criminosa, que culminou com dois disparos efetuados por ele contra Dandara. A defesa do réu é que a travesti foi alvejada após estar morta. “Eu vi os ‘caras’ passando e comentaram que pegaram um cara roubando. Eu fui com eles. Cheguei lá, a vítima já tava morta. O B... (adolescente) deu o primeiro tiro. Eu dei mais dois”.
O promotor Marcus Renan, titular da Promotoria da 1ª Vara do Júri de Fortaleza, e o advogado de defesa Pedro Henrique Bezerra dos Santos questionaram como o réu sabia que Dandara já estava morta e ele respondeu que ela não esbanjava reação aos tiros. Por fim, ‘Chupa Cabra’ se mostrou arrependido e pediu desculpas aos familiares da vítima. “Eu quero pedir perdão a toda família. Eu fiz isso porque estava iludido com o mundo. Hoje eu sirvo Jesus. Eu aprendi que a gente tem que ter amor no coração”, concluiu. O promotor Marcus Renan Palácio destacou em sua fala: “o perdão o senhor peça ao Todo Poderoso. Aqui não é convento das carmelitas. Aqui é o Tribunal de Justiça”, disse.
Jean Victor afirmou que estava trabalhando como auxiliar de pedreiro, ajudando seu pai em uma obra, quando visualizou um grupo agredindo uma pessoa e foi até lá. O vídeo do crime, que viralizou nas redes sociais, mostra o rapaz batendo três vezes na travesti, com uma tábua de madeira. Depois disso, ele diz que foi embora. “Falaram que ela (Dandara) estava roubando e não aceitam isso lá. Eu nem sei o que passou na minha mente para fazer isso”, justificou.
Os acusados foram questionados se pertenciam a alguma facção criminosa e também negaram. ‘Zazá’ chegou a ser identificado, na investigação, como membro da Família do Norte (FDN). O detento disse que teve pena de Dandara, assumiu ter dito “Carniça, tá até de calcinha” no vídeo (apesar de não aparecer) e clamou por liberdade para ficar com o filho de três anos. Ele é suspeito por outro homicídio.

Informações do Diário do Nordeste

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