domingo, 15 de abril de 2018

Camocim por Alexandre Barillari


"Talvez estivesse escrito nas linhas estranhas da vida sobre um grande encontro que teria; afinal, cheguei a Camocim numa noite em que, depois do espetáculo no Circo, fui sentar-me à beira do Coreaú - que deve ser íntimo para os Camocinenses - mas assim não o foi para mim. Ele estava prateado e crispado, o que me soou com sua forma vigorosa de boas-vindas, forma entusiasmada, viva. Por sobre a visão que tinha, um trio pé-de-serra revestiu de significado a paisagem, como um postal musicado da cidade. Por ali, além, fiz amigos, porque bem sei que não preciso de anos, dias para tal; quando Deus quer e oferece, a amizade nos achega pronta e inevitável, e foi assim. Além do Coreaú, com quem já tinha, de pronto, apanhado amizade, foram outros tantos cearenses-camocinenses que tornaram, de feito, a minha estada em festa. Como também acredito nas coisas invisíveis e intangíveis, além dos encontros que se seguiam gostosamente, houve - como as Paixões da Alma poderiam perfeitamente confirmar - um eco no meu corpo daquilo que Descartes sugere como reação às horas de alegria: faz ruborizar, nos torna mais vivos e vermelhos porque, abrindo as comportas do coração, o sangue corre mais depressa expandindo as veias e que, tornando-se mais quente e sutil, infla moderadamente o rosto, o que nos dá um ar mais risonho e feliz. Fui, assim, reflexo da alegria com que fui recebido em cada canto da cidade, cada casa, cada gente, cada aceno… A Iha do Amor é testemunha; afinal, me emprestou seu nome para expressar o que, hoje, sinto por Camocim: AMOR!"

Alexandre Barillari de Almeida

André Martins/Foto reprodução

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